O cliente já escolheu o que quer, combinou a entrega e, na hora de pagar, pergunta: “passa no cartão?”.
É nesse momento que muita gente começa a fazer conta de cabeça: quanto é a taxa? Quanto vai sobrar? Será que vale a pena? E, na dúvida, acaba respondendo: “Você consegue fazer no Pix?”.
Evitar uma taxa pode parecer uma boa economia. Mas existe uma parte dessa conta que nem sempre é considerada: dificultar o pagamento também pode custar uma venda.
Por isso, a melhor hora para decidir quais formas de pagamento aceitar não é quando o cliente já está esperando uma resposta. É antes.
A taxa não é o único custo da venda
Quem vende por conta própria precisa cuidar de muitas coisas ao mesmo tempo: comprar insumos, produzir, atender clientes, organizar entregas e ainda fazer as contas do negócio.
Por isso, é comum que a decisão sobre formas de pagamento aconteça no meio do atendimento.
O problema é que, nessa hora, você está com pressa e provavelmente não tem todas as informações de que precisa. Sabe que existe uma taxa, mas talvez não saiba exatamente quanto ela representa naquela venda.
E aí uma saída comum é tentar direcionar o cliente para a forma de pagamento que custa menos para você.
Pode funcionar. Mas também pode tornar a compra mais difícil.
O cliente pode aceitar pagar de outra forma e seguir com o pedido. Pode não gostar da experiência. Ou pode simplesmente desistir.
A taxa aparece claramente no seu extrato. Uma venda que deixou de acontecer, não.
Isso não significa que você precisa aceitar todas as formas de pagamento. Significa apenas que vale a pena fazer essa escolha com antecedência, olhando para a conta completa.
Descubra quanto realmente sobra de cada venda
Para começar, você precisa saber quanto custa receber o dinheiro.
E essa conta não precisa ser complicada.
Liste as formas de pagamento que você aceita hoje, como:
- Pix;
- dinheiro;
- débito;
- crédito à vista;
- crédito parcelado.
Depois, descubra quanto realmente entra na sua conta em cada uma delas.
Se você usa uma maquininha ou plataforma de pagamento, consulte uma venda que já aconteceu. Veja quanto o cliente pagou, quanto foi descontado e quanto você recebeu.
Por exemplo:
Se o cliente pagou R$ 100 e entraram R$ 96 na sua conta, o custo daquele recebimento foi de R$ 4.
Faça isso para as formas de pagamento que você mais usa. Assim, em vez de pensar apenas “cartão tem taxa”, você passa a saber quanto custa receber no cartão no seu negócio.
Depois, compare com o custo do que você vende
Saber quanto entra é só metade da conta.
Você também precisa saber quanto custa produzir aquilo que está vendendo.
Considere, por exemplo:
- ingredientes ou matéria-prima;
- embalagem;
- gás e energia;
- entrega ou deslocamento;
- seu tempo de trabalho;
- custo para receber o pagamento.
Se, depois de todos esses custos, ainda sobra uma margem que faz sentido para o seu negócio, aquela forma de pagamento pode ser uma opção.
Se a taxa faz com que a venda deixe de valer a pena, talvez seja hora de olhar para a precificação.
Afinal, receber também custa dinheiro. Assim como embalagem, transporte ou gás, taxas de pagamento fazem parte dos custos do negócio e precisam ser consideradas na hora de definir seus preços.
Quando você faz essa conta antes, não precisa rediscuti-la com o cliente a cada pedido.
Não olhe apenas para a taxa. Olhe também para o prazo
Outra pergunta importante é: quando esse dinheiro estará disponível para você?
Imagine que você vende bastante no fim de semana, mas precisa comprar ingredientes toda segunda-feira.
Uma forma de pagamento pode ter uma taxa baixa, mas demorar mais para cair na sua conta. Outra pode custar um pouco mais, mas deixar o dinheiro disponível antes da próxima compra.
Para quem tem despesas frequentes, essa diferença importa.
Por isso, ao comparar formas de pagamento, olhe sempre para duas informações:
1. Quanto custa receber?
2. Quando o dinheiro fica disponível?
A melhor opção não é necessariamente a que tem a menor taxa. É aquela que funciona melhor para a margem e para o caixa do seu negócio.
Defina suas regras antes do próximo pedido
Depois de fazer essas contas, fica muito mais fácil criar algumas regras simples para o seu negócio.
Você pode começar respondendo a três perguntas:
Quais formas de pagamento eu aceito?
Escolha aquelas que funcionam para o seu preço, sua margem e sua rotina financeira.
Existe alguma condição?
Por exemplo: parcelamento somente acima de determinado valor ou pagamento de um sinal para encomendas maiores.
Como vou informar isso ao cliente?
Deixe as formas de pagamento claras no cardápio, no WhatsApp ou no momento em que o pedido começa.
Parece um detalhe, mas faz diferença.
É muito melhor o cliente saber desde o início como pode pagar do que descobrir uma restrição quando já decidiu comprar.
Faça essa conta de novo de tempos em tempos
Você não precisa rever suas formas de pagamento toda semana.
Mas também não vale fazer essa conta uma vez e nunca mais olhar para ela.
Taxas mudam. O preço dos insumos muda. Seu preço muda. E a forma como seus clientes preferem pagar também pode mudar.
Uma vez por mês, reserve alguns minutos para conferir:
- quais formas de pagamento seus clientes mais usam;
- quanto você está pagando para receber;
- quanto tempo o dinheiro demora para ficar disponível;
- se seus preços continuam cobrindo esses custos.
Não precisa ter uma planilha complicada. Um caderno ou uma anotação no celular já podem ajudar.
O importante é ter essas informações disponíveis para não precisar fazer a conta de cabeça no meio de uma venda.
No fim, não é só sobre a taxa
É claro que ninguém gosta de pagar taxa. E acompanhar esses custos é importante para qualquer negócio.
Mas olhar apenas para ela pode fazer você deixar de considerar outra parte importante da venda: a facilidade que o cliente tem para comprar de você.
Por isso, antes de simplesmente recusar uma forma de pagamento, faça a conta completa.
Quanto custa? Quando o dinheiro entra? Sua margem comporta esse custo? Essa opção facilita a compra para o cliente?
Com essas respostas, você consegue decidir com calma e criar regras que funcionem para o seu negócio.
E, da próxima vez que alguém perguntar “dá no cartão?”, você não vai precisar parar para fazer conta. A decisão já estará tomada.


